No meio da Baía de Guanabara existe uma ilha que parece ter parado no tempo: a Ilha de Paquetá. A apenas 50 minutos de barco da Praça XV, no centro do Rio de Janeiro, Paquetá é um destino que surpreende até quem mora na cidade. Sem carros, sem motos, sem barulho de motor — a ilha se locomove exclusivamente por bicicleta e charrete, numa atmosfera bucólica que contrasta radicalmente com o caos urbano carioca. Neste guia, você vai saber tudo sobre o passeio de barca, o que fazer e ver na ilha e como organizar um bate-volta perfeito saindo do centro do Rio.

Como chegar a Paquetá: a travessia de barca
A forma de chegar a Paquetá é pelo serviço de barcas operado pela CCR Barcas, com embarque na Estação das Barcas da Praça XV, no centro do Rio de Janeiro. A travessia dura aproximadamente 50 minutos e percorre boa parte da Baía de Guanabara — com visuais do centro histórico, do Pão de Açúcar, da Ponte Rio-Niterói e das ilhas ao fundo.
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O serviço de barcas para Paquetá funciona em horários específicos ao longo do dia — nem todas as horas há saída, então o planejamento é essencial. Nos fins de semana e feriados, há mais horários disponíveis, e o movimento é maior. Recomenda-se verificar a tabela horária atualizada no site da CCR Barcas antes de ir, pois os horários sofrem ajustes sazonais.
O valor da passagem é bastante acessível — historicamente em torno de R$ 7 a R$ 10 por trecho (o preço pode ter sido reajustado; consulte sempre o site oficial). Para o passeio de bate-volta, você paga ida e volta separadamente na catraca de embarque.

A ilha sem carros: bicicletas e charretes
Paquetá tem uma regra que a torna única no Rio de Janeiro: veículos motorizados são proibidos. A única exceção são alguns veículos de serviço público, como ambulâncias e carros da prefeitura. Para os moradores e visitantes, os meios de transporte são a bicicleta, a charrete puxada por cavalos e os próprios pés.
Assim que você desembarca na ilha, vai encontrar um mercado de aluguel de bicicletas bem próximo ao cais. Os preços são acessíveis — em torno de R$ 20 a R$ 30 por hora ou R$ 50 a R$ 80 para o dia inteiro, dependendo do modelo. Dar a volta na ilha de bicicleta leva entre 40 minutos e 1h30, dependendo do ritmo e das paradas para fotos e lanches.
As charretes são outra opção — especialmente para quem veio com crianças pequenas ou prefere um passeio mais contemplativo. Os cocheiros costumam oferecer passeios guiados com paradas nos pontos principais da ilha. O valor varia entre R$ 60 e R$ 150 para grupos de até 4 pessoas.

O que fazer e ver em Paquetá
Praias da ilha
Paquetá tem algumas praias, mas é importante ser honesto: a qualidade da água da Baía de Guanabara é, infelizmente, comprometida pela poluição do entorno. As praias da ilha são mais indicadas para descanso e contemplação do que para mergulho. As mais visitadas são a Praia da Moreninha e a Praia José Bonifácio, ambas com quiosques e boa vista da baía.
Parque Darke de Mattos
O principal parque da ilha tem árvores centenárias, trilhas sombreadas e uma atmosfera de sítio histórico. É um ótimo ponto de parada durante o passeio de bicicleta, com bancos à sombra e a sensação de estar completamente fora do Rio urbano.
O casarão histórico e a Pedra da Moreninha
Paquetá é o cenário do famoso romance A Moreninha (1844), de Joaquim Manuel de Macedo — considerado o primeiro romance brasileiro. A Pedra da Moreninha, um grande rochedo com vista para a baía, é um dos pontos mais visitados e fotografados da ilha. Subir até lá vale muito — a vista aberta da Baía de Guanabara é deslumbrante.

A arquitetura colonial
Paquetá tem uma quantidade impressionante de casarões coloniais do século XIX ainda preservados — sobrados coloridos, igrejas antigas e sobrados com varandas que lembram o Rio de Janeiro de 200 anos atrás. A Igreja Nossa Senhora dos Prazeres (do século XVIII) é um dos marcos históricos da ilha e merece uma parada.
Onde comer em Paquetá
A ilha tem alguns restaurantes e botecos concentrados próximos ao cais e à orla. A culinária é simples e caseira — frutos do mar, peixe grelhado, camarão frito e petiscos típicos cariocas. Os preços são razoáveis, sem a cobrança extra que muitos pontos turísticos impõem.
Uma dica é chegar na ilha pela manhã cedo, almoçar em um dos restaurantes locais (que costumam ser bastante animados nos fins de semana) e pegar uma das barcas do fim da tarde de volta ao centro. Dessa forma, você aproveita o melhor dos dois turnos sem precisar de pressa.
Dicas práticas para o bate-volta a Paquetá
Vá num dia de semana se possível: nos fins de semana e feriados, a ilha recebe muitos visitantes e o serviço de barcas fica lotado — especialmente nos horários de pico da tarde, quando todo mundo quer voltar ao mesmo tempo. Num dia de semana, a experiência é muito mais tranquila e a ilha fica quase para você.
Leve dinheiro em espécie: nem todos os estabelecimentos de Paquetá aceitam cartão, especialmente os quiosques de aluguel de bicicletas e os vendedores ambulantes. Leve R$ 100 a R$ 200 em espécie para cobrir aluguel de bicicleta, alimentação e possíveis extras.
Chegue à Praça XV com antecedência: a Estação das Barcas fica no centro do Rio, um local com muito movimento. Nos horários de pico, pode haver fila para comprar a passagem. Chegar 30 minutos antes do horário da barca que você quer pegar é uma boa margem de segurança.
Verifique o horário da última barca: perder a última barca de volta ao Rio é um problema sério. Antes de sair da ilha, confirme o horário da penúltima barca (não deixe para a última, pois ela pode estar lotada) e garanta seu retorno tranquilo.
Paquetá é um dos passeios mais genuinamente cariocas que existe — sem glamour turístico excessivo, sem ingressos caros, sem filas intermináveis. É o Rio de Janeiro que os próprios cariocas curtem quando querem fugir da rotina. Se você ainda não foi, aproveite sua visita ao Rio para incluir esse bate-volta no roteiro. Combine também com uma passagem pela Confeitaria Colombo, que fica a poucos minutos da Praça XV e é uma das experiências mais tradicionais do centro histórico carioca.
A história de Paquetá: da realeza ao abandono e ao renascimento turístico
A história de Paquetá é fascinante e remonta ao Brasil colonial. A ilha foi habitada por índios Tupinambás antes da chegada dos portugueses, e seu nome vem do tupi Pakê-etá, que significa “muitas cobras” — algo que hoje soa irônico, dado o caráter pacífico e tranquilo do lugar.
No século XVIII e XIX, Paquetá era destino favorito da elite carioca e da família imperial. Dom João VI chegou a visitar a ilha diversas vezes, e seu filho, Dom Pedro I, também tinha apreço pelo local. A ilha foi palco de encontros da corte, festas aristocráticas e da vida social mais sofisticada do Rio daquela época. Esse passado nobre explica a quantidade de casarões e sobrados históricos que ainda pontuam as ruas da ilha.
Com a chegada do século XX e o desenvolvimento urbano acelerado do Rio, Paquetá foi progressivamente perdendo sua aura exclusiva. A poluição da Baía de Guanabara, que se intensificou a partir da década de 1960, afetou as praias e reduziu o atrativo do banho de mar. A ilha atravessou décadas de certo abandono turístico — mas justamente por isso preservou um charme que lugares mais “desenvolvidos” perderam.
Hoje, Paquetá vive um discreto renascimento: o turismo de experiência — que busca autenticidade, silêncio e contato com a natureza — voltou a colocar a ilha no radar. Visitá-la é, de certa forma, um ato de resistência contra o turismo de massa.
Paquetá para famílias com crianças
Paquetá é um destino excelente para famílias com crianças de diferentes idades. A ausência de carros e motos torna o ambiente muito mais seguro do que qualquer bairro do Rio continental — as crianças podem andar de bicicleta com mais liberdade, e os pais ficam mais tranquilos. A travessia de barca em si já é uma grande aventura para os pequenos: ver o Rio de Janeiro do mar, observar outras embarcações e chegando à ilha — que parece um mundo diferente — costuma ser uma memória marcante.
As charretes puxadas a cavalo são outro atrativo que encanta as crianças. Os cocheiros são em sua maioria moradores de longa data da ilha, com histórias e conhecimentos sobre Paquetá que transformam o passeio em uma aula viva de história e natureza. Para crianças entre 5 e 12 anos, é uma das experiências mais marcantes que o Rio de Janeiro pode oferecer.
Festividades e eventos em Paquetá
A ilha tem uma vida cultural própria, com festas e eventos que acontecem ao longo do ano. A mais famosa é a Festa de São Roque, padroeiro da ilha, celebrada em agosto com missa, procissão e quermesse. É uma das manifestações de cultura popular mais autênticas da Baía de Guanabara, e coincide com um aumento expressivo de visitantes que vêm especialmente para a festa.
O Carnaval de Paquetá também é uma celebração à parte — com blocos de rua que percorrem a orla a pé e de charrete, num ritmo muito diferente (e muito mais tranquilo) do carnaval do Rio continental. Para quem quer curtir o Carnaval sem a intensidade do sambódromo ou dos grandes blocos de rua, Paquetá é uma alternativa encantadora.
Paquetá x outras ilhas da Baía de Guanabara
A Baía de Guanabara tem várias ilhas, mas Paquetá é de longe a mais acessível e estruturada para visitação turística. A Ilha Fiscal, por exemplo, tem um palácio neogótico deslumbrante mas só recebe visitantes em fins de semana com grupos agendados. A Ilha do Governador é habitada e tem aeroporto, mas não é um destino turístico convencional. Já a Ilha de Paquetá combina acessibilidade (barca regular), estrutura mínima de turismo (restaurantes, aluguel de bicicletas, hospedagem básica) e um charme histórico difícil de encontrar em outros destinos da cidade.
É possível pernoitar em Paquetá?
Sim — e essa é uma opção ainda pouco explorada pelos turistas. A ilha tem algumas pousadas simples que oferecem uma experiência única: acordar na ilha sem carros, ouvir apenas pássaros e o barulho das barcas ao longe, e explorar Paquetá sem a pressa do bate-volta. O número de acomodações é pequeno e a qualidade varia, então é importante pesquisar bem e reservar com antecedência, especialmente nos fins de semana e feriados. Passar uma noite em Paquetá é uma das experiências mais inusitadas que o Rio de Janeiro oferece — e quase ninguém conhece.
Como combinar Paquetá com outros pontos do centro do Rio
A Estação das Barcas da Praça XV fica numa localização privilegiada do centro histórico do Rio. Antes ou depois do passeio a Paquetá, vale explorar os arredores: a própria Praça XV de Novembro, com o Paço Imperial e a Igreja Nossa Senhora do Carmo; a Rua do Ouvidor e seus cafés históricos; o Real Gabinete Português de Leitura, a apenas 10 minutos a pé; e os Arcos da Lapa, a menos de 20 minutos.
Uma estratégia eficiente é pegar a barca para Paquetá logo pela manhã (primeira ou segunda saída do dia), passar o dia inteiro na ilha e voltar no fim da tarde. Ao desembarcar na Praça XV, você ainda tem luz do dia para tomar um café na Confeitaria Colombo (a apenas 5 minutos a pé) e encerrar o dia com um passeio pelo centro histórico antes de voltar para o hotel.




